Castro da Mogueira
Os Castros
A origem dos castros, antigos povoados estrategicamente implantados a grandes altitudes, privilegiando de boas condições naturais de defesa e visibilidade e próximos de linhas de água, remontam ao final da Idade do Bronze, cerca de 1000 anos a. C.
Inicialmente, as estruturas habitacionais eram cabanas de madeira e colmo. Mais tarde, casas feitas de pedra, de planta circular, quadrangular ou rectangular (o que para alguns arqueólogos é sinónimo de influência romana), passaram a ser o espaço ocupado por estas populações - fruto do decorrer dos tempos e da evolução das técnicas de construção. Entre outros, o granito é o material mais usado nestas construções.
A criação de gado, a recolecção, o artesanato e uma agricultura ainda incipiente, eram algumas das actividades a que se dedicavam estas comunidades, sendo especificamente do foro do homem a caça, a guerra e os trabalhos metalúrgicos. No que concerne à religião, vários deuses relacionados com a guerra e as forças da natureza eram adorados por estes povos.
Alguns castros são abandonados ainda durante a Idade do Ferro, contudo, em maior ou menor escala, muitos são os que sofrem a acção da romanização. Muitos destes povoados mantiveram, mesmo, um nível de ocupação durante a Idade Média.
Localização e Descrição
Por toda a colina abundam profusamente blocos graníticos com encaixes, sulcos, cananículos, pios, plataformas, degraus, etc. Em todo o povoado, rodeado por linhas de água, salientam-se ainda sepulturas abertas na rocha, três linhas de muralhas, uma cisterna (?), fundos de estruturas habitacionais, lagaretas, grandes plataformas abertas no granito na zona mais alta (acrópole), onde terá funcionado um local de culto, inscrições gravadas no granito.
Por toda a área aparecem à superfície grande quantidade de fragmentos de cerâmicas várias, restos de fundição (escória), telha romana (tegulae). Rematam a elevação os restos do que terá sido um castelo medieval, que só os trabalhos de escavação poderão confirmar. O topo é ocupado por panos dos muros de suporte de uma linha de muralhas que circundava toda a coroa, albergando esta outras estruturas, das quais restam ainda restos de paredes.
A plataforma virada a poente é constituída por um conjunto de patamares, escadas, pios, um poço quadrangular, a níveis diferenciados, mas, aparentemente, em conexão. Em resultado da limpeza a que foi sujeita esta área, vislumbram-se outras estruturas.
Todo o conjunto é cercado, a norte e poente, por um muro de suporte, que confere maior área disponível. Logo abaixo desta plataforma desenvolvem-se as três linhas de muralhas, concêntricas, interrompidas pelos grandes afloramentos graníticos que, deste modo, são englobados no sistema defensivo.
Do lado poente da colina, de acesso difícil, parece não existir qual que sistema defensivo do género. A meia encosta, ainda dentro das muralhas, abre-se um grande fosso, para o qual se desce por um túnel com escadas escavados na rocha. Este fosso, restos de uma estrutura abobadada, na base da qual foi escavado um "poço" de boca quadrangular, actualmente só com uma pequena abertura. Este "poço" apresenta ainda uma altura de 15 metros.
Na vertente virada a S. Martinho, caberá destacar a primeira inscrição deste povoado, num bloco granítico afeiçoado. Em volta desta inscrição, e na sequência dos trabalhos de limpeza e restauro a que foi sujeita, parece evidenciar-se um conjunto de plataformas abertas a picão, aparentemente relacionadas com aquela. Na última campanha de limpeza, foram encontradas outras inscrições, ainda em estudo.
Do lado nordeste surgiram estruturas e plataformas abertas na rocha e, na plataforma mais alta, contam-se, até ao momento, oito sepulturas cavadas na rocha. Por toda a área do castro foram recolhidos à superfície e posteriormente tratados, centenas de fragmentos de peças cerâmicas dos mais diversas formas, pastas e decorações.
Inscrição Rupestre 1 do Castro da Mogueira
Inscrição: QVIATIA CVMI / ROTAMVS TRI EI / CAT / V M
Interpretação: QVIATIA CVMI ( filia ) / ROTAMVS . TR (T) EI (filius) / CAT... V (otum) M (erito)
Tradução: Quiatia, filha de Cumius, e Rotamus, filho de Triteus, cumpriram o voto a Cat...
Campo epigráfico: 180 cm x 200 cm.
Altura das letras: 1.1: 13; 1.2: 13; 1.3: 11; 1.4: 11.
Espaços: 1: 70; 2: 20; 3: 2,5; 4: 2,5.
Datação: " ... não posterior ao final do século I.
in MANTAS, Vasco Gil, "A Inscrição Rupestre da Estação Luso-Romana de Mogueira/Resende", separata do Vol. XVCIV da Revista Guimarães, 1985








