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Exposição de homenagem ao Mestre Joaquim no Museu Municipal

2008-05-29

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No dia 31 de Maio, no Museu Municipal, foi inaugurada a exposição “À volta do fogo olaria e figurado Joaquim Alvelos e um olhar de Paulo Nozolino” que vai estar patente até ao dia 31 de Agosto.



Esta exposição, que tem o apoio do Clube das Artes, para além de contar com fotografias onde figura o oleiro Joaquim Alvelos a trabalhar o barro nas suas diversas fases, conta com a recriação de uma soenga (cova escavada no solo onde se deposita lenha para cozer as peças).

Desde tempos medievais que uma das principais actividades económicas do vale de S. Martinho de Mouros era a olaria negra. No século XIX ainda existiam na região cerca de 40 oleiros, mas a falta de continuidade veio a ditar a decadência desta actividade, restando apenas nos últimos anos um único oleiro, Joaquim Alvelos, que veio a falecer aos 85 anos de idade, no ano de 2005.

Joaquim Alvelos, o “mestre” como era conhecido na região, nasceu em Fazamões no dia 1 de Fevereiro de 1920, com 15 anos “agarrou-se à arte”, como ele mesmo dizia, altura em que eram ainda muitos os que naquela localidade trabalhavam o barro, mas nos últimos anos só ele manteve a arte, devido à sua mestria e à dedicação que depunha na criação das suas peças e em cada uma das fases respectivas, que são muitas: a recolha da argila, o picar, o crivar, o amassar, a criação propriamente dita da peça, a secagem, a cozedura na soenga e a eventual impermeabilização. Para além de peças utilitárias passou a criar peças religiosas, de que é exemplo “O Cristo”, que obteve um prémio a nível nacional, o Santo António e as mais diversas peças de decoração.

Sempre pronto a dar a conhecer a sua arte, não se ficava pelos limites da sua freguesia, pois integrou o Rancho Folclórico e Etnográfico de S. Pedro de Paus, vendeu as suas peças nas feiras, aceitou os mais diversos convites para representar o concelho de Resende, trabalhando ao vivo em feiras de artesanato por todo o país.

Esta exposição é uma merecida homenagem ao Mestre Joaquim que, como refere Joaquim Correia Duarte, “trabalhava o barro com uma roda medieval, umas mãos de mágico e uma simplicidade e candura de criança”.



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